Os humanos e os animais não têm a mesma linguagem, e como não falam, é através do comportamento que manifestam as suas necessidades e emoções.
O problema é que os tutores não sabem identificar esses sinais e confundem-nos facilmente com desobediência ou teimosia.
- Choramingar ou ladrar em excesso.
- Mordiscar ou destruir objetos (sofás, portas, sapatos).
- Ainda fizer ou voltar a fazer as necessidades dentro de casa.
- Está mais inquieto/a ou demonstra falta de interação.
- Apresentar salivação excessiva ou respiração ofegante.
- Tentar fugir ou demonstrar maior agressividade e perda de apetite.
Estes são alguns comportamentos que os tutores costumam associar a desobediência, teimosia ou apenas a mau comportamento, mas que são, de facto, sinais aos quais devem estar atentos porque podem revelar que os cães estão a sofrer de ansiedade e stress.
Estudos revelam que a ansiedade por separação, sobretudo nos cães, tem vindo a aumentar nos últimos anos.
Esta tendência é facilmente explicada sobretudo com o fim do teletrabalho e a criação de novas rotinas que incluem maiores períodos de ausência dos tutores.
Outro fator é a falta de sociabilização, porque não foram só as crianças que ficaram privadas do contacto físico com terceiros ou afastadas de ambientes barulhentos durante a pandemia, os animais também.
O que aumentou a probabilidade de sentirem medo e terem comportamentos reativos, quando expostos a situações que para os humanos são comuns, mas que para eles, que interpretam o mundo através de instinto, experiências e associações, não passam de conceitos abstratos.
Os animais valorizam previsibilidade e vínculo, por isso, para um cão o “normal” é aquilo que acontece com frequência, como horários, rotinas, espaços e humanos familiares.
Assim, quando expostos a situações como:
– Chegada de um novo membro à família, seja humano ou outro animal;
– Novos ambientes, como a chegada a uma nova casa (quando bebés ou adotados), mudança de casa (mesmo que seja em família) ou férias;
– Andar de carro, sejam viagens curtas ou longas;
– Idas ao veterinário;
– Solidão em casa;
– Alterações de rotina, novos horários para comer ou ir à rua;
– Falta de exercício ou estímulos;
– Ruídos fortes, sejam obras, trovoadas ou fogos de artifício.
Estas são vistas como verdadeiras ameaças.

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Soluções para reduzir ou eliminar a ansiedade
» Padrões assertivos de comportamentos por parte dos tutores, com rotinas previsíveis e constantes.
» Enriquecimento ambiental, com a disponibilização de uma área suficientemente ampla com zona de descanso confortável e disponibilização de brinquedos adequados ao animal e às suas preferências.
» Criação de espaços próprios e seguros, que os protegem contra potenciais fatores de stress, como ruídos externos e excessivos.
» Definição de rotinas de exercício físico, adequadas às necessidades de cada um, porque vão ajudar a libertar da tensão, sobretudo antes de ausências.
» Soluções calmantes, em difusores ou sprays, de preferência 100% naturais, à base de óleos essenciais como valeriana, vetivera, sálvia e manjericão, que atuam suavemente sobre o sistema nervoso, ajudando a eliminar o stress, a ansiedade e o medo, e que acalmam de forma natural, sem sedar.
Em situações mais extremas ou agravamento dos sintomas, o tutor deve consultar um médico veterinário e/ou procurar acompanhamento de um consultor comportamental canino.
Se identifica alguns destes comportamentos no seu animal, não os desvalorize. A ansiedade não tratada pode evoluir para problemas mais graves, como depressão, dermatite por lambedura ou problemas gastrointestinais.
Por: Teresa Rousseau, médica veterinária e consultora Pet Remedy
Fotografia: Sam Lion | Pexels



