A Leishmaniose é uma doença endémica em Portugal que preocupa cada vez mais tutores e médicos veterinários, mas afinal, o que sabemos sobre esta doença, e como podemos proteger da melhor forma os nossos animais?
A Leishmaniose é causada por um parasita protozoário microscópico, que pode ser transmitido aos nossos animais de companhia através da picada de um flebótomo (um inseto mais pequeno do que um mosquito comum).
Após a picada, o parasita entra na corrente sanguínea do animal e é disseminado por vários órgãos, acabando por causar uma infeção generalizada.
Os sinais clínicos podem verificar-se a nível da pele ou dos principais órgãos alvo, como o fígado e os rins, originando manifestações clínicas variadas e, por vezes, inespecíficas.
A nível da pele, é comum os animais ferirem-se com mais facilidade e a cicatrização ser mais lenta. Podem também surgir regiões de alopécia (falhas de pelo) ou rarefação de pelo, principalmente na face, descamação excessiva e crescimento excessivo das unhas.
Os sinais clínicos sistémicos são mais inespecíficos e podem ser de perda de peso ou prostração, podendo também incluir vómitos ou diarreias.
Também é comum haver sinais clínicos articulares, e nesse caso, haver claudicação ou dor ao apoiar um ou vários membros.
Infelizmente alguns animais, principalmente em fases iniciais, podem não demonstrar quaisquer sinais clínicos mesmo sendo portadores da doença.
Devido às alterações climáticas, a presença dos flebótomos em Portugal tem vindo a acentuar-se nos últimos anos, estando os insetos transmissores da Leishmaniose atualmente presentes em todo o território continental.
Embora a atividade dos insetos seja geralmente mais acentuada nos meses de verão e outono, com as nossas temperaturas atuais, os flebótomos conseguem reproduzir-se e manter-se ativos praticamente ao longo de todo o ano, potenciando assim as infeções com a doença.

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Torna-se, portanto, indispensável a proteção dos nossos animais de companhia, particularmente os cães, em duas linhas: em primeiro lugar, reduzindo o risco de picada pelo flebótomo, e em segundo lugar, fortalecendo o sistema imunitário por forma a conseguir responder de forma mais eficaz na eventualidade de haver transmissão da doença.
A primeira linha de proteção consegue-se através de uma desparasitação externa eficaz, nomeadamente, com a utilização de pipetas ou coleiras anti-parasitárias que funcionam como repelentes para os insetos.
Estas devem ser aplicadas sempre de acordo com as indicações do médico veterinário, e respeitando o período de atuação para que a proteção seja mantida em níveis máximos a todos os momentos.
A segunda linha de proteção sustenta-se na vacinação, que, não podendo evitar a picada do inseto, irá fortalecer as linhas de defesa do animal na eventualidade de haver transmissão de doença.
Para que a vacinação seja adequada, é recomendado fazer sempre a testagem do animal, assegurando que não é portador da doença à altura do início do protocolo vacinal.

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A Leishmaniose é uma doença que infelizmente ainda não tem cura, no entanto, têm surgido vários tratamentos com resposta terapêutica satisfatória e muitos animais infetados conseguem assim, manter uma boa qualidade de vida!
A prevenção é a melhor forma de combater a doença.
Os rastreios atempados e regulares, a proteção externa adequada e protocolos de vacinação têm vindo a desenvolver um importante apelo no controlo da Leishmaniose canina em Portugal.
Por: Dra. Rita Nunes, Médica Veterinária no Grupo Vet Planet
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