As marcas do setor pet já não podem comunicar só para a doença

Num mercado pet cada vez mais exigente, já não basta às marcas aparecerem quando existe um problema. A persistência de uma lógica demasiado centrada na resposta à doença continua a limitar o setor, não apenas ao nível do cuidado e da previsibilidade, mas também na forma como marcas e operadores constroem relação com os tutores.

Esta é uma das conclusões do ProPet Insights – Panorama Empresarial da Saúde Animal, estudo desenvolvido pela UPPartner com base em entrevistas a diferentes operadores do ecossistema pet em Portugal, entre áreas como saúde animal, alimentação, farmacêutica veterinária, diagnóstico, seguros e plataformas digitais.

A leitura do estudo é clara: apesar de a prevenção ser reconhecida como uma prioridade, continua muitas vezes mais presente no discurso do que na prática. E isso tem implicações que vão além da dimensão clínica.

Num setor onde o consumidor procura hoje mais informação, mais previsibilidade e maior confiança, as marcas que continuam a comunicar apenas em torno da urgência ou do problema ficam mais dependentes de uma relação curta, episódica e transacional.

Para Bernardo Soares, médico veterinário e responsável pela área One Health da UPPartner, “num mercado mais exigente, já não basta às marcas aparecerem quando existe um problema. A prevenção está a tornar-se um território de confiança, porque é aí que se constrói relação, previsibilidade e valor ao longo do tempo.”

O ProPet mostra que a dependência de um modelo reativo continua a ter impacto direto no custo do cuidado e na eficiência do setor, mas evidencia também um desafio de posicionamento: quando a relação com o tutor acontece apenas no momento da doença, perde-se espaço para fidelização, orientação e construção de valor continuado.

É neste contexto que a prevenção começa a afirmar-se como um território estratégico para as marcas do setor pet. Não apenas porque permite reduzir fricção e aumentar previsibilidade, mas porque cria condições para uma presença mais relevante, mais útil e mais credível na vida do consumidor.

A confiança já não se constrói apenas na capacidade de resolver um problema. Constrói-se, cada vez mais, na capacidade de antecipar necessidades, explicar melhor e acompanhar de forma consistente.

O estudo identifica, aliás, espaço para modelos mais continuados e relacionais, como seguros, planos, subscrições e plataformas de saúde, precisamente por permitirem passar de uma lógica pontual para uma lógica de acompanhamento. Neste sentido, a prevenção deixa de ser apenas uma questão de cuidado e passa também a ser uma questão de proposta de valor.

Esta mudança exige uma adaptação mais ampla por parte das marcas. À medida que o consumidor se torna mais exigente, a comunicação deixa de poder assentar apenas numa presença emocional ou reativa. Passa a exigir mais transparência, mais clareza, maior utilidade e uma capacidade real de ajudar o tutor a decidir melhor.

Mais do que responder à doença, o mercado começa agora a valorizar quem consegue construir presença antes dela. E isso significa que, num setor em transformação, a prevenção está também a tornar-se uma linguagem de marca.

ProPet Insights insere-se na aposta da UPPartner em iniciativas próprias de investigação e análise de mercado, desenvolvidas para produzir conhecimento útil sobre setores em transformação. No caso do mercado pet, o objetivo passa por contribuir para uma leitura mais estruturada da sua evolução, identificando tendências, desafios e oportunidades que possam apoiar decisões mais informadas e alinhadas com a realidade do setor.