Fala-se muito sobre esterilização, mas continuam a existir dúvidas, crenças e receios infundados que dificultam decisões informadas por parte dos cuidadores de animais de companhia.
O Dia Mundial da Esterilização Animal é celebrado hoje, 24 de fevereiro, e para marcar esta data este artigo ajuda a esclarecer algumas das ideias mais comuns associadas a este procedimento, com um “polígrafo” que separa o que se diz do que a ciência realmente confirma, reforçando a importância da esterilização para a saúde e bem-estar dos animais.
O que é a esterilização?
A esterilização é uma cirurgia de rotina, recomendada por médicos veterinários, que ajuda a prevenir problemas de saúde graves, como infeções uterinas e testiculares, bem como determinadas patologias da próstata.
Para além dos benefícios individuais, o procedimento tem também impacto positivo na comunidade ao reduzir o número de ninhadas não planeadas que podem acabar em abrigos ou em situação de abandono.
Em muitos países, esta é uma das principais ferramentas de combate à sobrepopulação animal, integrando campanhas de saúde pública e programas de adoção responsável.
Quando esterilizar?
O momento ideal para a esterilização varia de acordo com vários fatores, incluindo raça, sexo, estado de saúde e estilo de vida do animal.
A decisão deve ser sempre individualizada e baseada na avaliação clínica realizada pelo médico veterinário, tendo em consideração os potenciais benefícios e riscos em cada caso.
A esterilização antes do primeiro cio deixou de ser considerada uma recomendação universal, sendo o momento do procedimento definido caso a caso.
A evidência científica demonstra ainda que, em determinadas raças, a esterilização pode não ser aconselhada em qualquer fase da vida, reforçando a importância de uma avaliação médico-veterinária individualizada.
Cada animal deve ter um plano adaptado, individual, definido em consulta veterinária.
Polígrafo: o que dizem as “más-línguas” e o que a ciência confirma
“A esterilização provoca obesidade”
Falso. O aumento de peso não é causado diretamente pela esterilização, mas sim por alterações nas necessidades energéticas do animal associadas à alimentação e ao nível de atividade física. Com uma dieta ajustada, exercício regular e acompanhamento veterinário, é possível manter um peso saudável ao longo da vida.
“A esterilização provoca mudanças no comportamento do animal”
Falso. A esterilização pode reduzir comportamentos ligados às hormonas, como fugas, marcação territorial ou procura constante por parceiros, mas não altera a personalidade nem a ligação do animal à família.
“A esterilização é contra a natureza e causa frustração nos animais”
Falso. A reprodução nos animais é um comportamento instintivo e hormonal, não uma necessidade emocional. A esterilização não causa frustração psicológica e pode, em muitos casos, reduzir stress associado ao cio e à procura de parceiros.
“A esterilização é uma cirurgia demasiado arriscada”
Falso. A esterilização é um procedimento cirúrgico comum e seguro quando realizado por equipas médico-veterinárias qualificadas. Como em qualquer cirurgia, existem riscos, mas estes são reduzidos com avaliação prévia, anestesia adequada e acompanhamento pós-operatório.
“Uma vez esterilizado, o animal já não precisa de acompanhamento especial”
Falso. Após a cirurgia, é importante ajustar alimentação, exercício e vigilância veterinária regular para manter o peso adequado e garantir bem-estar ao longo da vida.
Por: Carolina Cardoso, médica veterinária
AniCura Atlântico Hospital Veterinário



