Lisboa vai ter equipas de intervenção em casos de acumulação de animais

A Assembleia Municipal de Lisboa aprovou ontem a recomendação do PAN que visa a adoção de protocolos e a criação de equipas multidisciplinares para prevenção e intervenção em casos de acumulação de animais no município. A proposta foi aprovada por maioria, com o voto contra do PCP e abstenção de um deputado independente.

Na discussão da proposta, a deputada do PAN Inês de Sousa Real lembrou que a acumulação de animais é uma problemática presente em Lisboa, existindo diversas situações do conhecimento das autoridades e da população, como o caso dos 29 cães que viviam em condições degradantes num apartamento em Campolide ou dos cerca de 100 gatos encontrados num apartamento na Avenida Almirante Reis.

A efetivação desta recomendação permitirá dar a resposta a esta realidade através da criação de um manual de procedimentos e de uma equipa composta por psicólogos, médicos veterinários, autoridades de saúde e associações zoófilas para prevenir, intervir e acompanhar os casos identificados.

O PAN propõe também que sejam definidos protocolos com a Casa dos Animais de Lisboa e com as associações zoófilas locais para assegurar a recolha, esterilização e encaminhamento para adoção destes animais.

O PAN pretende ainda que exista, em articulação com as autoridades de saúde, o devido acompanhamento psicossocial das pessoas acumuladoras, uma vez que está em causa uma perturbação mental que requer tratamento. Dado que os estudos apontam para uma taxa de reincidência entre 60% a 100%, é essencial evitar que estas pessoas comecem a acumular animais num outro local.

“Até hoje a intervenção destes casos tem sido deixada para a dimensão médico-veterinária, com enorme pressão até sobre os serviços municipais, como a Casa dos Animais, deixando para trás a necessária prevenção da reincidência e o acompanhamento da pessoa que sofre deste transtorno. Acreditamos que esta proposta que hoje foi aprovada poderá fazer a diferença nos casos de acumulação de animais em Lisboa. Uma atuação local e de proximidade é fundamental para conseguirmos prevenir o escalar das situações e garantir que existe uma intervenção concertada e atempada da parte das autoridades competentes. Só assim será possível evitar o grande sofrimento que a acumulação de animais inflige às pessoas e aos animais envolvidos”, afirma a deputada Inês de Sousa Real.

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