Há vários tamanhos de Yorkshire Terrier?

O Yorkshire Terrier é um cão de raça pequena, de caráter divertido, simpático, inteligente, confiante e atento. Muito procurado como cão de companhia e de família, existe uma grande tendência por parte do público em geral em procurar exemplares de tamanho excessivamente pequeno.

Mas a questão é: O Yorkshire Terrier tem vários tamanhos?
Não! O tamanho do Yorkshire deve estar de acordo com o estalão oficial da raça, que explicarei de seguida.

A raça teve origem em Inglaterra, mais propriamente no Condado de York, o que acabou por dar origem ao seu nome. Em 1886, foi oficialmente chamada de Yorkshire Terrier, mas apenas em 1898 é que o Yorkshire Terrier Club fixa o estalão da raça, o qual se encontra praticamente inalterado até aos dias de hoje.

O estalão ou standard do Yorkshire Terrier, atualmente definido pela Federação Cinológica Internacional (FCI) – entidade máxima mundial que regula a Cinofilia – refere que o peso máximo permitido é até 3,2 Kg.

É um peso com uma referência máxima exata, porém não faz qualquer referência a altura ou peso mínimo. A maioria dos criadores conscientes e conhecedores da raça, defendem que o peso ideal se situa entre os 2,2 Kg e os 3 Kg.

Mas, afinal o que é o estalão e para que serve? O standard ou estalão é um documento regulador, onde se encontram descritas as características físicas (morfológicas) e psíquicas (comportamentais) de cada raça. É um documento que serve de base a juízes e criadores, através do qual regulam o trabalho que deve ser desenvolvido em prol da raça.

O standard é importante? Se vai adquirir um cachorro e está disposto a pagar para ter um exemplar de determinada raça, é porque pretende que este se pareça o máximo possível com a raça que escolheu, certo? O que determina essas características é o estalão/standard. Se, pelo contrário, acha que o estalão da raça não é importante, então não precisa de ter um cão de raça, qualquer um servirá.

Em Portugal, é frequente encontrarmos Yorkshire Terrier fora do Standard/Estalão da raça, quer no que respeita ao peso, quer à coloração e até mesmo ao temperamento.

O pensamento de que um cão de 3 Kg é um cão grande, está enraizado e é errado. Um Yorkshire Terrier que apresente uma boa constituição física, pode ser mais pequeno, porém mais pesado, do que um mais alto, mas de fraca morfologia. O Yorkshire é um cão pequeno, mas robusto, vigoroso e ativo.

Existe uma grande tendência, por parte do público em geral, em sobrevalorizar os tamanhos excessivamente pequenos, esquecendo-se que um Yorkshire tem outras características essenciais e que são muitas vezes negligenciadas (saúde, morfologia, cor, qualidade e textura do pelo).

Nos exemplares de tamanho excessivamente pequeno é vulgar encontrarmos associados problemas de saúde, tais como: nanismo, fontanelas abertas, predisposição para o raquitismo, para a epilepsia e para problemas cardíacos, ossos frágeis e mesmo possibilidade de frequentes baixas de glicose. Estes são, por norma, cães com uma saúde mais delicada.

Como referi, os criadores a nível mundial são praticamente unânimes em referir que o peso ideal de um Yorkshire Terrier deve situar-se entre os 2,2 Kg e os 3 Kg e normalmente, utilizam no seu programa de criação exemplares dentro desse intervalo de peso.

Numa mesma ninhada podem existir cachorros uns maiores que outros. No entanto, os cachorros mais pequenos não são Toy ou Mini. São apenas mais pequenos. Quando isto ocorre o Criador tem de verificar se o cachorro pequeno é “normal” e saudável, ou se apresenta alguma patologia associada ao seu tamanho, como raquitismo ou nanismo.

É errado pensar que existem vários tamanhos admitidos no standard da raça Yorkshire Terrier. Nesta raça não existe diferenciação de tamanho definido.

Existem raças, como o Caniche, por exemplo, que tem uma diferenciação de acordo com o seu porte: Toy, Médio e Grande. No Yorkshire não existe diferenciação pelo tamanho e essa designação é errada. Tanto é Yorkshire um cão com 1,5 Kg como o é um com 3 Kg, e todos eles se encontram regulamentados pelo mesmo standard, sem diferenciação de nomenclatura, nem qualquer divisão por tamanho.

A terminologia Yorkshire Terrier Toy, Mini ou Supermini, entre outras, é utilizada por “criadores” desinformados, pouco sérios e/ou pouco entendidos na raça que apenas buscam o lucro económico, sem qualquer interesse em preservar a qualidade da raça que demorou dezenas de anos a conseguir.

Creio, que é importante distinguir claramente o que é o trabalho sério dos Criadores que se regem pelo estalão da raça e trabalham para preservar as suas características únicas, selecionando progenitores em prol da preservação e melhoria da raça, dos “criadores” ou “criadeiros” cujo propósito da criação é a venda de cães, a obtenção de lucro, sem qualquer interesse na preservação da raça.

A procura de exemplares de tamanho excessivamente pequeno leva, infelizmente, à existência de uma criação contínua e desmesurada deste tipo de Yorkshire.

Essa mesma procura, por sua vez, leva ao crescente número de pessoas que se intitulam de “criadores” e que privilegiam o tamanho em vez de saúde, morfologia e temperamento. Aspetos esses tão marcantes e importantes na raça.

O público que procura este tipo de Yorkshire, infelizmente não tem em consideração ou conhecimento, quanto ao tipo de criação que frequentemente rodeia esses cães. Nem tem em consideração os problemas de saúde que muitos desses exemplares acabarão por ter, levando posteriormente a desgostos, preocupações, tristezas e muitos gastos veterinários.

Existem “criadores” pouco esclarecidos/éticos que, por vezes, utilizam no seu programa de criação reprodutores com um grau de consanguinidade muito elevado, assim como reprodutores cuja saúde não é a ideal, tendo eles muitas vezes patologias associadas, apenas para conseguir obter os ditos exemplares Toys, Minis e Superminis.

Muitos desses “criadores” creem que se utilizarem progenitores muito pequenos terão somente filhos pequenos. Errado! Há que conhecer a linha genética dos progenitores, quer dos pais, como dos avós, bisavós e trisavós até. Um determinado progenitor pode ser pequeno, mas poderá ter filhos grandes.

Quando se cria com exemplares atípicos a única coisa que se consegue é deteriorar cada vez mais a raça e arruinar todo o trabalho desenvolvido por Criadores sérios e éticos ao longo de várias décadas, que se dedicaram a estudar, preservar e ampliar a qualidade do Yorkshire Terrier.

Criar Yorkshire Terrier de forma correta, é uma tarefa árdua e dispendiosa, que requer muita dedicação e seriedade!

É necessário que se adquiram progenitores de muita qualidade, típicos, com o devido carácter e em perfeito estado de saúde. Os Criadores sérios apenas utilizam no seu programa de criação exemplares selecionados, com qualidade reconhecida e com uma genealogia conhecida.

Um bom Criador não utiliza essas designações de Toys, Minis e afins! Estas não existem!

Por: Elsa Jacinto do afixo “Lizandro’s Dream”

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