Cão da Serra de Aires | História deste cão pastor alentejano

O Cão da Serra de Aires, ou Cão de Pastor Português, é originário do imenso Alentejo, devendo a raça o nome ao Monte da Serra de Aires, propriedade rural situada no distrito de Portalegre, concelho de Monforte e Freguesia de Santo Aleixo, assim chamada por estar inserida, parcialmente, na pequena elevação com essa toponímia.

Outrora propriedade de Manuel Inácio de Castro Guimarães, primeiro e único Conde de Castro Guimarães, viu serem aí recenseados pelos ilustres veterinários Dr. António Cabral e Dr. Filipe Morgado Romeiras, os exemplares que serviriam para a elaboração do primeiro estalão da raça, no alvor do século XX.

Estes estudiosos e verdadeiros cinófilos, deixaram-se cativar pela singular beleza e rusticidade, resistência, agilidade e inteligência que revelavam na condução e contenção de manadas, rebanhos e piaras.

Fotografia: Carla Cruz

Alguns escritos datados de finais dos anos 70, princípios de 80, do século passado viriam a lançar a confusão sobre o solar da raça, ao confundir a Serra de Aire, maciço calcário situado na zona de Torres Novas, com o pequeno outeiro alentejano.

Ainda que carecendo de documentação histórica que permita clarificar as suas origens, as semelhanças morfológicas com outras raças de cães pastores continentais, permitem equacionar uma origem comum. Estes cães pastores ter-se-ão espalhado pelo velho continente acompanhando as migrações humanas e, certamente, devido à transumância.

Esta, referindo-se ao movimento sazonal dos rebanhos entre as zonas serranas e o campo de Ourique, terão sido a causa mais importante para a disseminação da raça em toda a região alentejana.

Perdendo-se a origem na neblina do tempo, não restam dúvidas de que o caráter do Cão da Serra de Aires foi moldado pela agrura do campo Alentejano, escaldante no verão, gélido no inverno e com enormes amplitudes térmicas nas outras estações. A estes fatores, juntemos a solidão do trabalho de pastoreio a uma alimentação insípida e temos o cadinho onde foi forjado o verdadeiro cão de pastor português.

A sua aptidão para o trabalho, a sua frugalidade e a incorruptível lealdade a um só dono fazem com que seja, ainda hoje, indispensável companheiro de tantos homens do campo, não só em Portugal, mas também em alguns países do norte da Europa, onde começa a conquistar adeptos, muito pela autonomia que demonstra no seu trabalho, não carecendo de condução constante, como outras raças, eventualmente com outra reputação.

Cão da Serra de Aires com rebanho de ovelhas na Holanda.

Nos finais dos anos 40 começou a identificar-se o Cão da Serra de Aires com um determinado tipo de cão. Filipe Romeias foi o veterinário que iniciou a identificação da raça. António Cabral, veterinário especialista em cães portugueses esteve também ligado ao estudo da raça. Nos anos 50 elaborou-se um estalão da raça que foi reconhecido internacionalmente pela FCI no ano de 1954.

Na década de 80, Pedro Delerue, José Manuel Loureiro Borges, Francisco Corrêa Cardoso e outros criadores expandiram internacionalmente o Cão da Serra de Aires. Marilyn e João Valente criaram Serra de Aires na Holanda divulgando a raça por toda essa zona da Europa quando as viagens eram complicadas. Importaram o “CH Jóio do Magoito” durante 2 anos e chegaram a ter um cão na seleção Holandesa de Agility nos anos 80.

No ano 2008, foi publicado o estalão atual com algumas alterações do estalão inicial.

Por: Clube Português do Cão da Serra de Aires

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