A história do Sheltie

O Shetland é uma raça relativamente jovem, originária das ilhas Shetland. Localizadas no Atlântico Norte, estas são uma série de pequenas ilhas expostas aos caprichos do mar e aos ventos do Norte.

A origem desta raça pode ser atribuída à influência de cães do tipo Spitz do Norte da Escandinávia, trazidos pelos primeiros habitantes; do King Charles Spaniel, do Lulu da Pomerânia original e de outros cães indígenas das ilhas, bem como do escocês Collie. No entanto, os cruzamentos que existiram para o desenvolvimento desta raça são envoltos em mistério e ainda debatidos.

Os primeiros cães provavelmente descendiam dos cães de pastoreio escandinavos do mesmo tipo do Buhund norueguês ou do cão islandês. Apesar destes cães de pastoreio nórdicos serem raramente mencionados na história da raça, não há qualquer razão para não supor que os colonos de origem nórdica, que levaram as suas pequenas ovelhas, vacas e cavalos não tenham levado também os seus cães. Há inclusive evidências arqueológicas da presença de tais cães.

Quando ovelhas maiores começaram a ser importadas para as ilhas da Escócia, é razoável assumir que elas foram acompanhadas por Collies de trabalho relacionados com os ancestrais dos modernos Rough Collie e do Border Collie, bem como importações anteriores de cães escoceses que podem ter sido trazidos para as ilhas. Cruzamentos também foram feitos com os cães das frotas de pesca trazidos de fora, como o cão Islandês e da Gronelândia. O cão Yakki é particularmente mencionado.

Sem dúvida, os “Crofters” (pequenos arrendatários de terra que também trabalhavam como pescadores e, em muitos casos, nem sequer possuíam os seus próprios barcos) criaram algumas das suas cadelas com o que consideravam ser o melhor cão de pastoreio importado.

Nesta altura a selecção foi feita tendo em conta a maior capacidade para trabalhar um pequeno número de ovelhas Shetland, vacas Shetland, e possivelmente até póneis.

Todos eram pequenos e as ovelhas, em particular, eram extremamente selvagens e ágeis. A agilidade, velocidade e a capacidade de trabalhar com o mínimo de alimento era mais valorizada do que o tamanho ou capacidade de intimidar gado preguiçoso (o que é agora chamado de “the eye” nos Border Collies).

Existe também a teoria que afirma que os cães não eram utilizados para pastoreio, mas sim para manter as ovelhas meio selvagens afastadas dos jardins e celeiros.

O Turismo (embora talvez não com esse nome) tornou-se importante para a economia das ilhas durante o século XIX, e os habitantes descobriram que podiam vender aos turistas os seus cachorrinhos. Os turistas gostavam de cães pequenos e fofos, e muitos dos ilhéus começaram a criar todos os cães que fossem pequenos e fofos.

A utilização de um King Charles Spaniel deixado para trás por um barco visitante é mencionado por Catherine Coleman, e Lulus da Pomerânia (originalmente maiores dos que os de hoje em dia) também são mencionados frequentemente. Alguns cães iniciais tinham uma aparência parecida com o Papillon. Outros eram muito curtos de pernas e poderiam ter tido ancestrais como o Corgi.

No final do século XIX e início do século XX, alguns dos ilhéus perceberam que a raça original estava a desaparecer. Cruzamentos com Collies, possivelmente incluindo Collies de Exposição, começaram a ser feitos nas ilhas, e nessa altura foi feito um esforço para recuperar o tipo original.

A raça foi registada pela primeira vez em Lerwick, em 1908, e no Shetland Sheepdog Club Escocês em 1909. Posteriormente, estes dois registos da raça foram reconhecidos pelo Kennel Club Inglês (UKC), em março de 1909.

Registados pela primeira vez como Shetland Collie, o nome foi alterado para Pastor de Shetland em outubro de 1909 devido a pressões de criadores de Collies. Outros nomes usados para se referir ao Sheltie incluem Lilliputian Collie, Toonie Dog, Peerie Dog, Fairy Dog e Miniature Collie.

Texto e fotografias: Rui Alves Monteiro, juiz e criador com o afixo “Casa Mont’Alves”

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